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Renato Franklin


Movida avança com locadora, revenda e Gestão de Frotas. Empresa do Grupo JSL mira cliente corporativo e consumidor.



Formado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e em Ciências Contábeis pela UNA de Belo Horizonte, o executivo-chefe (CEO) da Movida, Renato Franklin, tem 36 anos. Franklin comanda hoje a segunda maior locadora de automóveis do Brasil, uma empresa que está em forte expansão – assim como o segmento – e tem novos planos para lançar serviços e produtos em um mercado muito competitivo. Em 2015, a Movida teve um faturamento bruto de R$ 1,2 bilhão. No ano passado, a receita cresceu 55% para R$ 1,9 bilhão.
Nascido em Belo Horizonte/MG, casado e com três filhos, Franklin conta para a Frota & Mercado que começou sua carreira na Vale (antiga CVRD – Companhia Vale do Rio Doce) em 2003. Morou no Rio de Janeiro entre 2006 e 2007 e mais tarde, entre 2009 e 2013, quando foi responsável pelo setor de suprimentos da mineradora. “Eu comecei minha carreira como trainee (estagiário) na Vale. Fiquei 10 anos na empresa, em 2013 era responsável pelos Suprimentos”, diz Franklin. Em março de 2014, o executivo aceitou um convite de Fernando Simões, acionista controlador do Grupo Júlio Simões – um dos maiores de logística do Brasil – e mudou-se para São Paulo, onde iniciou um desafio: transformar a Movida Rent a Car, então uma locadora de automóveis de porte médio, em uma grande empresa do ramo.
Franklin tem pós-graduação em Finanças pelo Ibmec de São Paulo e pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas pela Fundação Dom Cabral de Belo Horizonte. A experiência mais importante na fase pós-graduação universitária, contudo, ele considera ter sido o Programa de Gestão feito no IMD (International Institute for Management Development, ou Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração, em tradução livre do inglês) em Lausanne, na Suíça.
A Movida tem se mostrado uma empresa de crescimento agressivo, ancorada em novas tecnologias, investimentos e uma visão de que o mercado de locação de carros e mobilidade urbana está em rápida transformação no Brasil. A empresa existe desde 2006, mas seu crescimento começou de maneira planejada a partir de 2013, quando foi adquirida pelo Grupo Júlio Simões Logística (JSL), um dos maiores do Brasil, que também atua em logística portuária e rodoviária. Na capital paulista, Franklin traça um panorama do mercado de locadoras e terceirização de frotas no país para a Frota & Mercado:


Revista Frota & Mercado – Como o senhor vê os mercados de locação de carros e da terceirização das frotas no Brasil?
Renato Franklin – São mercados que têm um potencial enorme de crescimento, mesmo com a crise. Apenas 12% da frota corporativa do Brasil é terceirizada. Em 2015, o porcentual era menor ainda, 10%. Para fazermos uma comparação: na Inglaterra e na Espanha, 70% das frotas corporativas são terceirizadas. Então existe esse espaço enorme para crescer. Em média, uma empresa economiza 14% ao terceirizar a sua frota. Existem ganhos financeiros, operacionais, logísticos.

RF&M - Qual é o tamanho do mercado?
RF – Hoje a frota total das locadoras no Brasil é de 350 mil veículos. Isso em uma frota circulante total de automóveis que está em 49 milhões, 50 milhões de carros. Veja: o brasileiro ainda aluga pouco carro, porque existia a percepção errada de que era um serviço caro, e que na verdade não é, ficou barato. Por isso, o mercado cresce 10% ao ano mesmo com recessão.

RF&M –Como esta mudança ocorre?
RF – É simples. É mais barato alugar um carro que ficar andando de táxi ou até mesmo do que ter o próprio carro e pagar impostos, seguro e a manutenção. Isso para o motorista que usa o automóvel todos os dias para trabalhar. A diária de um carro popular parte de R$ 89,00. Já o aluguel de um carro de luxo, falo de um Audi A4, de um Mercedes-Benz Classe C, parte de R$ 200, até menos. Quando eu compro carros das montadoras para a nossa frota, consigo um desconto. Eu não vou comprar só um Fiat Mobi. Eu vou comprar 200, 300. Pagamos um Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) menor. Isso me permite fazer o seguinte: vendemos comodidade com redução de custos para o consumidor.

RF&M – Quantos carros a Movida tem atualmente?
RF – Nós temos 65 mil veículos na nossa frota. Desde o final de 2015 temos a segunda maior frota entre locadoras do país.

RF&M – Como as operações da empresa estão estruturadas?
RF – As operações estão estruturadas em três áreas muito importantes: locação de carros (varejo), terceirização e gestão de frotas e vendas de automóveis seminovos. Atualmente, na locação de carros, temos uma frota de 49.900 automóveis. Na terceirização e gestão de frotas, temos 15 mil carros. E nas vendas de seminovos, temos um estoque que oscila entre 4 mil e 6 mil carros. Nossos seminovos são vendidos com no máximo três anos de uso e existe aqui um aspecto importante para destacar: todos os carros da Movida, mesmo os mais populares, têm ar-condicionado de fábrica. Esse é um diferencial muito importante.

RF&M - Por quê esse diferencial?
RF – Porque vivemos em um país com clima quente na maior parte do ano, então o consumidor quer ar-condicionado. Esse é um diferencial na hora de você vender um carro para o consumidor na tabela Fipe. Tem que ter ar-condicionado.

RF&M – Com estas três áreas principais de operação, qual é o foco prioritário da Movida?
RF – No momento, o foco principal é o Rent a car (varejo – aluguel). A terceirização de frotas, contudo, é complementar e está ganhando espaço. Em 2016, ela cresceu 4%. Em 2017 vai crescer muito mais. Nós conseguimos aumentar em 18% o nosso tíquete médio na terceirização de frotas.

RF&M – Como foi estruturada a operação da venda de seminovos?
RF – Nós construímos a nossa rede de revendas de seminovos em dois anos. Esse é um mercado que cresce com a crise. Como todo mundo sabe, muitas concessionárias das marcas fecharam com a recessão. Então nós fizemos o seguinte: alugamos os imóveis a um preço muito menor e passamos a revender os nossos seminovos. Partimos do zero em 2015, hoje temos 60 lojas de seminovos. Só no ano passado, abrimos 36 lojas de seminovos. Em geral, vendemos carros com pouco mais de um ano de uso e quilometragem baixa.

RF&M – Como a Movida, que tinha 170 funcionários em 2013, hoje tem 2.600 colaboradores e virou uma empresa de grande porte? Qual estratégia vocês usaram para chegar a esses resultados?
RF – Partimos do pressuposto que o cliente, seja na locação, terceirização da frota ou na compra do seminovo, quer a excelência. E nós temos o DNA de servir com o DNA da inovação. Vou te dar um exemplo de como este mercado mudou e está mudando: até o final de 2013, 80% dos carros das locadoras brasileiras tinham motor 1.0 e não tinham ar-condicionado. Então nós resolvemos mudar isso, fazer um upgrade e ganhar mercado. Nós mudamos a frota da locação. Começamos a trazer para a nossa frota em 2014 o HB 20 (compacto da Hyundai); trouxemos o Renault Duster com transmissão automática; trouxemos o Audi A4; o Audi A3 sedã; e participamos do lançamento do Jeep Renegade. A Movida começou a ser vista pelas montadoras como uma plataforma para lançar seus veículos. Hoje temos a exclusividade dos carros Mercedes e do Fiat Mobi.

RF&M – Mas o que aconteceu? O consumidor brasileiro ficou mais exigente?
RF – Ficou e nós temos uma filosofia que é melhorar a experiência do cliente. Nos últimos dez anos, aconteceu o seguinte: a diária do aluguel do carro subiu abaixo da inflação. Isso trouxe novos consumidores que nunca haviam alugado um carro antes no Brasil. Vou te dar um exemplo: em abril, lançamos um novo serviço, o Mensal Flex. O consumidor paga por mês o aluguel do carro. Nós simulamos antes quanto ele gastaria se comprasse o carro e quanto vai gastar com o aluguel. O aluguel é reversivo, o preço diminui a cada mês. Este serviço cresce acima da nossa expectativa.

RF&M – A Movida tem uma atuação muito forte em tecnologia. Como isso se reflete nos serviços?
RF – Este é outro ponto importante, inclusive na gestão das frotas terceirizadas. Nós desenvolvemos o nosso próprio software para monitorar a frota, a nossa e as terceirizadas. Então é o cliente quem escolhe quais são as configurações que ele quer para a própria frota. O cliente configura as rotas, horários, fluxos, limites de velocidade da própria frota. Nós desenvolvemos este sistema há um ano e ele tem atualizações constantes. O cliente consegue ver online a frota dele, onde ela está, o que ela está fazendo. Há um ano, a Movida tinha 15% da frota monitorada. Hoje, 30% da nossa frota é monitorada e queremos chegar a 50% até o final de 2017.

RF&M – Recentemente, a Movida lançou um projeto para trabalhar com startups. Como funciona?
RF – Existem muitas novas e pequenas empresas de tecnologia (as chamadas “startups”) no Brasil que desenvolvem aplicativos para a mobilidade urbana. Nossa ideia é que as empresas selecionadas cresçam conosco. Em uma primeira fase, selecionaremos 100 startups. Em uma segunda fase, ficarão conosco entre 5 e 10 startups para projetos conjuntos. É o Movida’s Lab.

RF&M – A Movida foi a segunda locadora a abrir o capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a primeira empresa a realizar abertura de capital em 2017 – em fevereiro. O que isto significou e quanto a empresa captou com o processo?
RF – A Oferta Inicial de Ações (IPO, na sigla em inglês) melhorou muito a nossa estrutura de capital, porque nos trouxe R$ 600 milhões para investirmos na nossa expansão. Com certeza, se refletirá nos números futuros dos nossos resultados.

RF&M – E quais são os resultados financeiros que a empresa tem obtido até agora?
RF – No 1º trimestre de 2016, a Movida teve uma receita líquida de R$ 405 milhões. Em período igual de 2017, a receita líquida cresceu para R$ 615 milhões.

RF&M – Como vê sua empresa daqui para frente?
RF - A Movida viveu um ciclo de construção desde 2014. Agora, a partir de 2017, começou um outro ciclo, para capturar rentabilidade e fortalecer os processos. Vamos continuar a crescer e nos manteremos líderes em tecnologia e atendimento ao cliente.

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