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Energia do presente


Uma proposta para o futuro das grandes frotas !



Já utilizados por frotas de empresas no Brasil e em táxis e veículos do governo de forma experimental, automóveis elétricos e híbridos ainda têm pequeno espaço no nosso mercado. Apesar do interesse de setores de logística de companhias tanto na economia quanto na preservação do meio ambiente, a falta de infraestrutura e incentivos governamentais ainda é barreira de entrada importante no cenário nacional. As projeções indicam que a expectativa é que 30 mil a 40 mil veículos verdes façam parte da frota brasileira até 2020. No mundo, a Agência Internacional de Energia (IEA) prevê 20 milhões de híbridos e elétricos circulando no planeta até o mesmo ano.
Nos Estados Unidos, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou, em 2015, o plano para os próximos 20 anos. Ele pretende que 2 mil veículos da atual frota oficial da cidade sejam substituídos por veículos elétricos, com 80 % de redução de gases de tráfego até 2035. O programa é chamado de NYC Clean Fleet. Lá há incentivos substanciais. Em alguns casos, é possível abater até US$ 10 mil do valor total do veículo elétrico ou híbrido plug-in com as isenções fiscais. Vale a pena para todos os setores ter veículos verdes em suas frotas, inclusive táxis (há vários deles circulando por lá), situação muito diferente da brasileira. Uma realidade clara é apresentada por Ricardo Guggisberg, presidente da ABVE - Associação Brasileira do Veículo Elétrico, representante do setor com mais de 40 associadas: “A situação em Nova York e São Paulo é incomparável neste momento. O custo de um Tesla, que pode ser considerado como um carro de luxo nos Estados Unidos, é de US$ 30 mil. Já um Zoe, que é um popular, no Brasil chega aos R$ 170 mil, o que é impeditivo”, diz.
As cidades, por aqui, têm autonomia limitada com relação ao assunto, mas há esforços possíveis. Desde 2015, por exemplo, a parte do IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores que seria revertida para a prefeitura deixou de ser cobrada na cidade de São Paulo e os veículos elétricos ou híbridos podem circular em qualquer dia da semana sem a restrição do rodízio. Alguns táxis da cidade já migraram para os híbridos – dos 37.528 alvarás de táxi na cidade, 116 são para esse tipo de veículo, movido a energia elétrica e gasolina – quatro carros funcionam apenas com eletricidade. A expedição de alvarás para automóveis com esses sistemas de propulsão ocorre desde 2012.
Os maiores entraves, porém, não podem ser solucionados pelas prefeituras. Segundo a Coordenadoria de Comunicação – SMT do município, “a questão é macroeconômica e inclui incentivos fiscais às montadoras, legislação federal, linhas de crédito e o avanço tecnológico, que deve ser fator para a popularização dos elétricos e híbridos”. Mesmo assim, “a utilização dos veículos híbridos e elétricos na cidade de São Paulo está em fase de estudos para verificação de quesitos como desempenho, favorecimento ambiental, produção e viabilidade. O objetivo é incentivar a aquisição de veículos menos poluentes”.
Enquanto os obstáculos não são transpostos, a prefeitura se movimenta em outro sentido para modificar o aspecto econômico e ambiental. A gestão atual diminuiu a frota própria de veículos, com a locação por meio de licitação. A medida visa a utilização de veículos mais novos, menos poluentes e a redução de custos com manutenção. Além disso, a administração municipal espera economizar R$ 120 milhões por ano com a decisão – o Decreto Nº 57.605, de fevereiro de 2017, determinou que a locomoção de servidores públicos deve ser realizada, prioritariamente, por meio de aplicativos de transporte. Entre os veículos “cortados” estão 1.300 que eram utilizados para o transporte de funcionários. De qualquer forma, quem determina qual veículo será comprado pelo município não é o prefeito, mas o órgão que realiza a licitação.
O Governo Federal sinaliza, mesmo que timidamente, uma preocupação com o futuro do veículo híbrido e elétrico. Em 2014, reduziu o Imposto de Importação para carros híbridos de 35 % para alíquota máxima de 7 %. No ano seguinte, a CAMEX - Câmara de Comércio Exterior incluiu veículos híbridos, elétricos e elétricos plug-in (que são ligados em tomadas) na lista de ex-tarifários, contribuição importante para a redução da carga tributária desses veículos. As informações foram passadas pela ABVE. Mas não é suficiente, segundo Guggisberg. “É preciso desenvolver o setor elétrico, para dar a infraestrutura necessária que gere segurança para a aquisição desse tipo de veículo, principalmente para o consumidor final. Hoje o IPI ainda é um imposto incidente importante. A luta da associação é por zerá-lo, abrindo grande possibilidade para o mercado de veículos elétricos”, diz.
Ele conta que já há empresas que possuem carros elétricos em suas frotas, como: Correios, Federal Express, Natura, Bosch e CPFL. Os veículos são abastecidos nas próprias bases ou sedes das companhias. “Há uma intenção de consumo das áreas de logística das empresas. Para esses setores, a aquisição de carros elétricos já está fazendo diferença pelas vantagens oferecidas por esse tipo de veículo”, explica. Os veículos são adquiridos nas concessionárias e sua relação com os convencionais envolve economia de combustível, não emissão de poluentes e conforto, além da ausência de ruídos e comodidade no abastecimento. Do ponto de vista do interesse dos órgãos governamentais e taxistas, por exemplo, Guggisberg também diz que “o interesse pela troca de frotas e popularização dos veículos elétricos sempre houve, também por parte da administração pública, mas, antes da dissolução dos entraves do setor, não é possível avançar”.
O número de veículos híbridos e elétricos continua crescendo, ainda que não em padrões que permitam mudanças mais profundas. Em 2015, 864 veículos “ecológicos” foram licenciados; no ano seguinte, 1.091. O panorama é bem diferente do da capital do estado de Nova York. Na cidade americana, a prefeitura pretende investir de US$ 50 milhões a US$ 80 milhões nos próximos dez anos para a troca da frota. A cifra será utilizada para a compra de veículos e na construção de eletropostos.


Elétricos
(foto do Leaf, do e.coTech2)

As opções disponíveis para veículos híbridos ou elétricos ainda são poucas. Entre as que desenvolvem soluções tecnológicas para os carros no Brasil destaca-se a Hitech Electric, que tem sede em Pinhais, no Paraná. Comercializará, conforme previsão da empresa, até setembro de 2017, veículos leves elétricos para o consumidor final pelo preço inicial de R$ 49.890 (modelo de duas portas). Os carros são montados na China, pela Aoxin. Os leves se locomovem à velocidade de 50 km/h a 60 km/h e podem chegar a 120 km sem reabastecer. Entre as empresas que já contam com os veículos da Hitech estão Ouro Verde, Copel e Correios. A companhia foca no B2B e pretende atender áreas de negócio específicas. Clubes, hotéis, condomínios, grandes indústrias, setor de eventos, shoppings, aeroportos e prefeituras são seus clientes potenciais.
Os grandes players também observam o mercado brasileiro. A Nissan é um exemplo. Elétrico, o Leaf já participou de programas-piloto com as prefeituras de São Paulo e do Rio de Janeiro entre 2012 e 2016. Foram 10 táxis na capital paulista e 15 no Rio de Janeiro com a tecnologia. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar da capital fluminense também receberam Leafs. As alternativas, nos Estados Unidos, são muitas. O jornal New York Times publicou uma projeção da empresa de pesquisa Baum & Associates: 40 modelos estarão à disposição do consumidor final norte-americano em 2017.
Alex Ferguson, gerente de Vendas Diretas da Nissan do Brasil, analisa nosso caminho até aqui: “O mercado de veículos elétricos ainda é incipiente no Brasil, pois são veículos que exigem uma infraestrutura mais complexa para recarregamento das baterias que os alimentam, que praticamente inexiste no país. Falta ainda uma política governamental que incentive a venda desses veículos, com isenções e reduções de impostos e taxas. Enquanto não houver esses dois pilares, o segmento não vai se desenvolver. Nós temos o produto pronto para vender: se essas condições forem criadas para o segmento de elétricos no país, podemos participar”. Os carros elétricos da Nissan totalizam mais de 275 mil no mundo; destes, 100 mil estão nos Estados Unidos. Em nosso território, a marca japonesa está presente na parceria Renault-Nissan. A montadora francesa já vende seus veículos para empresas brasileiras como Itaipu Binacional e Porto Seguro, além de atender autarquias do governo do Paraná.
Hoje, um dos grandes desafios da Nissan é divulgar os conceitos de Vehicle to Home (do veículo para a casa), Vehicle to Building (do veículo para a construção) e Vehicle to Grid (do veículo para a rede). Trata-se de um projeto que transforma as baterias do carro em armazenadoras de energia, permitindo o gerenciamento energético. Ferguson explica o esforço da montadora: “A Nissan está trabalhando com várias empresas americanas, como distribuidoras de energia, instituições de pesquisa, fabricantes de carregadores, órgãos reguladores e outras instituições públicas, bem como com o público em geral, tanto em projetos de demonstração como em pesquisas avançadas”. A companhia apresenta uma solução já adotada no Japão desde 2012, a “Leaf-to-home”, que deve estar disponível nos Estados Unidos em breve. “O sistema permite que os motoristas usem em sua casa a energia armazenada na bateria de um Nissan Leaf. Aproximadamente 4 mil residências estão utilizando seus veículos elétricos para gerenciar o uso de energia domiciliar no Japão, e centenas de carros elétricos estão fornecendo energia para edifícios tanto no Japão como na Europa”.
Recente pesquisa da Nissan Europa resultou em dados sobre os consumidores nascidos entre 1982 e 2004. No estudo, 76 % dos participantes disseram que dirigir um carro eco-amigável é a primeira atitude que tomariam para tornar suas vidas mais “verdes”. Mais de 50% deles desejam comprar um veículo elétrico ou já têm um. Ainda pensando nos padrões de uso, consumo e condução dos veículos, a Nissan incentiva, no território norte-americano, o Drivethearc, um corredor de estações de carregamento rápido de veículos elétricos entre Monterey e Lake Tahoe, no estado da Califórnia. Para o Brasil, Ferguson garante que a oferta de veículos da Nissan supriria boa parcela do mercado: “Temos carros que atenderiam aos mais diversos públicos. Há o Leaf, temos a van e-NV200, só para citar alguns exemplos.”
Outra gigante do setor, a Tesla começou a fabricar seu veículo mais esperado para este ano em Fremont, na Califórnia. O jornal italiano Corriere Della Sera fornece informações sobre a produção do competitivo Tesla Model 3. Com autonomia de 350 km, mais na estrada, o carro promete revolucionar o mercado americano e mundial. Desde o pré-lançamento, em março de 2016, foram 400 mil reservas e os primeiros veículos serão entregues em julho deste ano. Quem encomenda hoje o elétrico terá que esperar até a segunda metade de 2018 para recebê-lo. A montadora pretende começar produzindo 100 unidades até agosto, ter 20 mil veículos até o final de 2017 e aumentar este número para meio milhão por ano. A diferença essencial do Tesla Model 3 para os concorrentes é o preço. Agora, no lançamento, o valor sugerido no mercado norte-americano é de US$ 35 mil, mas ainda não há uma lista oficial para aquisições fora dos EUA.


Híbridos
(foto Prius, Lexus e Transit Connect)

O eletroposto, no Brasil, é uma novidade. Quem quer um veículo 100 % elétrico tem também que aderir ao plug-in, que permite recarregar o veículo na tomada em intervalos de tempo variados, geralmente longos. A autonomia também é uma restrição importante. Como opção aos veículos totalmente elétricos, montadoras investem no híbrido, com sistemas de distribuição e armazenamento da eletricidade diferentes de empresa para empresa. O Prius, da Toyota, funciona com um motor a combustão e outro elétrico. Já participou de programas de táxis híbridos na cidade de Juiz de Fora/MG, São Paulo/SP e Sorocaba/SP, e foi utilizado pelo Detran do Distrito Federal, pela polícia do Estado de Pernambuco e do Rio de Janeiro e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
A tecnologia envolvida no processo energético também é interessante. O motor elétrico do Prius não é carregado na tomada por eletricidade convencional. Nas frenagens, a energia cinética se transforma em elétrica e é armazenada na bateria do motor. Até 50 km/h, quem trabalha é o elétrico carregado. Desta velocidade em diante, o motor a combustão assume. Nas subidas, por exemplo, os dois funcionam ao mesmo tempo, com regulagem automática. De janeiro de 2013 a maio de 2017, o Brasil já consumiu 1.600 desses veículos, enquanto os norte-americanos compraram 3,1 milhões deles desde 2000. As informações foram fornecidas por Ricardo Bastos, diretor de relações públicas e governamentais da montadora no Brasil, e Toyota Global Newsroom. De acordo com Bastos, “no mundo, a Toyota já bateu a marca de 10 milhões de unidades híbridas vendidas em fevereiro deste ano. Do total, a família Prius responde por mais de 60%, com 6,1 milhões de unidades vendidas”. A outra opção híbrida da empresa é o Lexus CT200h, da divisão de luxo. Ambos os carros têm como maior mercado o Japão, com quase 5 milhões de unidades vendidas.
A procura de frotistas por veículos híbridos ainda é pequena, “principalmente em relação à oferta de veículos equipados com motores convencionais. Isso também se deve a uma restrita oferta no mercado nacional”, diz Bastos. O transporte de passageiros, como os táxis, tende a contribuir com a aceitação e o uso das alternativas híbridas. Bastos aposta na tecnologia: “As vantagens do uso em massa deste porte de veículo são tangíveis, pela eficiência, o custo-benefício por rodagem e a redução na emissão de CO2, um apelo claro para tornar a mobilidade dos grandes centros urbanos mais sustentável”, conclui.
Em outros países que possuem uma infraestrutura elétrica mais robusta faz sentido adquirir um híbrido plug-in. Desde janeiro deste ano, 20 vans Transit Connect, da Ford, fazem parte de um programa nova-iorquino e de outras cidades norte-americanas de popularização e uso de automóveis com sistema misto de propulsão. O veículo é baseado no Ford Escape Hybrid, primeiro táxi híbrido do mundo – ainda há deles circulando nos EUA com a bateria original –, e a intenção da iniciativa é avaliar a van em condições reais de tráfego. No fim do ano, a empresa pretende lançar outro modelo, customizado, o que deve ampliar a oferta para públicos variados, desde frotistas, PcD, taxistas até empresas e consumidores finais.


Yellow Cab
O nova-iorquino clássico! Há mais de 10 mil táxis amarelos na cidade. Este é um Toyota Camry. Antes dos aplicativos como o Uber, a licença do yellow cab custava US$ 1 milhão! Dizia-se na época, e ainda hoje, que milhares delas eram controladas pela máfia. Atualmente a licença custa cerca de US$ 100 mil.

Green Cab
Este é um Mitsubishi Mirage, um dos chamados táxis verdes de Nova York. Existem 2 mil desses green cabs. A maioria deles não é híbrida nem elétrica. A cor indica que esses táxis atendem ao Bronx, Staten Island e outros bairros periféricos de Nova York. Vão a bairros distantes, onde os taxistas dos yellow cabs não gostavam de ir. O atual prefeito, Bill De Blasio, leiloou as 2 mil licenças dos green.


São Paulo/SP em busca da solução americana !
Secretário municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Cid Torquato, fala da sustentabilidade que também é acessibilidade.


RF&M - Quais os dados referentes aos veículos acessíveis, elétricos e híbridos adaptados de que a prefeitura dispõe ?
Cid Torquato - Da frota de veículos acessíveis, 203 são elétricos – trólebus – 10 são movidos a etanol e dois são híbridos – diesel e energia elétrica a bateria. Toda essa frota possui acessibilidade.

RF&M - E os planos da prefeitura em relação aos meios de transporte adaptados para PcD ?
CT - O objetivo da gestão do prefeito João Doria é tornar 100% da frota de ônibus da cidade de São Paulo acessível a pessoas com deficiência. A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência tem o objetivo de promover a transformação social necessária à inclusão da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida. Atuamos como parceira da Secretaria de Transportes, CET e SPTrans.

RF&M - Como a Secretaria gerencia as demandas da pasta ? Quais as principais ações ?
CT - São formados grupos de trabalho, que discutem modos de qualificação e aperfeiçoamento, e que têm por objetivo a melhoria dos serviços de transporte público municipais, como o Atende (Transporte porta a porta), os táxis acessíveis, o Bilhete Único Especial e a emissão do Cartão Defis. Outra ação em destaque é o treinamento de agentes de trânsito na cidade para atender melhor a população com deficiência. A CET está requalificando 44 turmas, totalizando 1.848 agentes só este ano.

RF&M - A prefeitura tem se espelhado em modelos como o de Nova York para melhorar a mobilidade ?
CT - Bons exemplos devem ser utilizados para a promoção de políticas públicas que atendam a todos os cidadãos. Para além de exemplos como o da prefeitura de Nova York, autora do Inclusive Design Guidelines, outros tantos devem ser avaliados e adequados às necessidades e possibilidades locais. Isso inclui a Agenda 2030, da ONU, que deve ser instrumento basilar para a atuação desta Secretaria da Pessoa com Deficiência. Sem esquecermos, por evidente, outros casos exitosos e todas as demais normas que convergem para o bem-estar de todos, sem exceção.

RF&M - O que é preciso para popularizar e tornar acessíveis os veículos, também os elétricos e híbridos ?
CT - Estimular que toda nova tecnologia e ação, desde sua criação, seja pensada e formulada para todas as pessoas. Incluindo a superação de barreiras arquitetônicas, comunicacionais e, principalmente, atitudinais, além da promoção e do fomento a ações inclusivas e sustentáveis.

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