O Seu Guia de Consulta e Referência

Software leitura de Tela:
Contraste:

REDES SOCIAIS:



MERCADO


Economia das cores
Como as empresas e o consumidor final influenciam na escolha das cores dos veículos oferecidos pelas locadoras



As locadoras de veículos respondem por 12 % da demanda nacional atendida pelas montadoras e são as maiores fornecedoras de seminovos do mercado. Pela alta rotatividade dos ativos que gerenciam, muitas delas possuem redes de revenda no varejo e lidam com os diversos aspectos ligados à precificação de automóveis seminovos. Por uma questão de custo inicial, ao longo do tempo, muitas escolheram investir seu dinheiro em veículos de cores sólidas, como branco, prata e preto. Há 4 ou 5 anos, a maioria dos carros nos pátios era prata – a cor da época. O branco era mais barato, mas relacionado aos táxis, enquanto o preto possuía desvantagens em pequenos reparos.
A situação mudou e a estratégia das locadoras também. Hoje, o negócio gira em uma velocidade maior. É preciso atender, satisfazer e manter clientes para garantir lucratividade. Se antes as locadoras influenciavam na cor do veículo usado ou revendido ao cliente, agora a relação é invertida. A empresa oferece opções de acordo com a demanda do consumidor final. Isso quer dizer que a escolha do cliente orienta a compra dos lotes pelas locadoras também no referente à pintura. As grandes locadoras do setor pedem veículos com cores variadas às montadoras visando à revenda destes veículos no futuro próximo. “Na hora de vender, principalmente no varejo, se você tem uma cor única, fica com dificuldade”, é o que diz Paulo Nemer, presidente do conselho nacional da ABLA – entidade representante do setor de locação de automóveis.
O branco, até então associado ao transporte de passageiros, ganhou status e voltou ao jogo, já que interessava mais a frotistas. Nemer diz que percebeu o movimento do mercado antes: “Há cinco anos, nos Estados Unidos, notei que havia uma utilização considerável de veículos brancos. Pensei na ocasião que a tendência não demoraria a chegar ao Brasil, e chegou”. No presente, algumas montadoras têm cobrado mais pelo branco do que por cores metálicas, o que não se justifica.
Raphael Silva, responsável pela formação de preços da Mister Car, locadora e terceirizadora de frotas informa que na rede de locadoras e revendas do grupo a mudança de cor ocorre como uma forma de diminuir os custos. “Há uma mudança de demanda da cor prata para branco, e o motivo é o custo”. Ele diz que as cores predominantes nos pátios das locadoras da rede são prata e branco, o que atende a demanda, principalmente, dos consumidores. Na revenda, a cor compõe a depreciação do veículo. Silva considera: “cores como vermelho, amarelo e cinza, menos comuns, têm depreciação maior na revenda”. Isso influencia a compra, na Mister Car, de veículos com cores tradicionais, como prata, branco e preto. Para as frotas executivas, Silva diz que “a procura não chega a ser alta, porém, por status, hoje há demanda por cores perolizadas”, enquanto o varejo sinaliza a escolha do branco para pessoas físicas; um fator que tem a ver com a moda, cultural portanto. As pessoas jurídicas levam mais em conta o custo e a cor preta atende mais o público jovem.
Essas cores especiais, perolizadas, segundo o presidente da ABLA, podem entrar em compras de lotes, dependendo de negociação direta, mas a prática não é tão comum. Para frotistas que oferecem carros a executivos, a discrição continua sendo um fator importante. A cor também atende especificidades das frotas de empresas. “Muda com relação ao tipo de uso do veículo. Empresas do agronegócio, mineração e plantio de eucalipto, por exemplo, de serviços mais pesados, têm a cor branca ou prata. Se houver qualquer problema na pintura ou funilaria, é fácil de resolver. O veículo não fica marcado, quase não se vê que foi reparado”, diz.
Conforme o diagnóstico da ABLA, carros de diferentes cores fazem parte dos pátios e revendas de grandes locadoras. Renato Franklin, entrevistado desta edição da Revista Frota & Mercado e executivo-chefe da Movida, segunda maior locadora do Brasil, diz que a empresa investe não apenas nos automóveis das cores preta, branca e prata, mas procura também automóveis das cores azul, verde e vermelho, entre outras. Franklin diz que isso ocorre porque a Movida montou a sua própria rede de revendas de seminovos, que já conta com mais de 60 lojas no Brasil. "Nós compramos na mesma proporção do varejo. Porque aí acontece o seguinte, na hora de revender o carro, e se o cliente quiser um da cor azul?", explica. Ele calcula que esta proporção do varejo esteja atualmente em 50% para preto, branco e prata; a outra metade, para vermelho, azul, verde, marrom e outras cores.
As frotas preferem cores padronizadas, geralmente branco ou prata, mas no varejo deve-se ter a opção do colorido, porque o cliente quer a cor que já escolheu. Há mais ou menos 15 anos, empresas exigiam que suas frotas tivessem a cor de suas marcas, o que aumentava a oferta na ponta da negociação com o consumidor final. As evoluções tecnológicas frearam a tendência. Por causa de sistemas de plotagem e técnicas de envelopamento, mesmo essas empresas aderiram à economia de cores sólidas. “O envelopamento de um veículo custa aproximadamente R$ 600, e ainda protege a pintura e diminui o aparecimento de riscos”, argumenta Nemer. Hoje a empresa pode ter uma frota de veículos brancos e colocar apenas sua logomarca na porta, por exemplo. O custo de colorir, que é maior, não compensa.
Não só o perfil, mas também a qualidade do que é oferecido na revenda também mudou. “O produto que o setor de locação disponibiliza nenhum outro setor disponibiliza. As locadoras têm veículos de 12, 18 e 24 meses de uso. São carros seminovos, não usados”, informa o presidente. O veículo tem garantia de até 36 meses e há facilidade de compra e venda, além do fato de que se costuma trocar o carro em um prazo mais curto por aqui. A diferença para o mercado de revendas de forma geral não está na oferta do produto, mas no oferecimento de serviço, que se traduz, para Nemer, em veículos novos e limpos.
Atualmente se alugam carros pelo grupo ao qual pertencem, a cor não é um fator nesta equação. O presidente da ABLA explica: “Veículos do grupo B, por exemplo, têm que ter ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, ABS e airbag. Os do grupo C têm os mesmo acessórios, mas são de tipo sedan”. Mas a depreciação, na revenda, não pode ser auferida e faz parte da estratégia de cada locadora. Um veículo bastante usado pode ser colocado a leilão e um carro menos “rodado”, na revenda, em um dos cenários possíveis. E esse movimento faz sentido para cada locadora particularmente.
A frota executiva das empresas mantém um mesmo padrão já há certo tempo. São compostas de veículos de cores sóbrias. Os carros para estes executivos têm padrões mais altos, costumam ser cinzas, pratas e com tons de prata mais fechados. Não há utilização de veículos vermelhos, por exemplo. O setor tem uma demanda crescente, inclusive por veículos blindados. Essas versões estão disponíveis em locadoras especializadas ou em pequenas quantidades nas locadoras de forma geral. O veículo blindado se deprecia muito mais rapidamente e ainda tem que ser submetido a vistorias que encarecem os custos e não auxiliam na hora da revenda.
Nos tempos de crise econômica, Nemer faz uma ressalva fundamental: “Há clientes que só querem preço, e, com base nisso, alugam seus carros.” Dos que valorizam as cores, percebe-se, então, que a variação de tons parte do consumidor final, mas que a uniformidade ainda existente aumenta a possibilidade de uso para frotas empresariais.

Redes Sociais

Frota & Mercado

Telefone: (11) 3873-1525
E-mail: atendimento@frotaemercado.com.br
FROTA & MERCADO © 2012
By Studio Toro